O que já se sabe sobre esse tópico:
O Simplified Acute Physiology (SAPS) 3 foi publicado em 2005 e é o escore de gravidade de doença mais comumente usado no Brasil. Espera-se que o desempenho de um escore se deteriore com o tempo, principalmente em termos de calibração. Portanto, ele deve ser reavaliado periodicamente para verificar se continua adequado. Além disso, os parâmetros e métricas usados para estimar os recursos da UTI foram relatados em 2007 e, até onde sabemos, não foram revalidados. O presente estudo avaliou o desempenho do SAPS 3 em uma coorte contemporânea de 1.306.811 pacientes internados em 1.239 UTIs participantes do Registro Brasileiro de UTIs (UTIs Brasileiras) e investigou a necessidade de sua customização.

 

O que este estudo acrescenta:
Observamos que a mortalidade hospitalar estimada usando a equação padrão do SAPS 3 (SAPS 3-SE) e os recursos da UTI usando as métricas originais para estimar a duração da internação por sobrevivente foram significativamente superestimados, resultando em baixas taxas padronizadas de mortalidade e uso de recursos, respectivamente. À vista disso, realizamos uma customização de primeiro nível (recalibração) do SAPS 3 (SAPS 3-Custom) e derivamos um novo conjunto de métricas para estimar o número esperado de dias de UTI por sobrevivente. Os procedimentos de customização corrigiram essas superestimativas e resultaram em previsões mais precisas dos dois desfechos de interesse.

 

Como este estudo pode afetar a prática ou a política:
Os resultados do estudo geram evidências para o uso do SAPS 3-Custom em relação ao SAPS 3-SE para avaliar o desempenho e a eficiência da UTI e para benchmarking nas UTIs brasileiras. No entanto, reavaliações do desempenho do SAPS 3-Custom e das respectivas estimativas de dias de UTI customizadas por sobrevivente de acordo com a gravidade devem ser realizadas periodicamente para determinar se permanecem precisas futuramente.